Diz-se violento o rio que tudo arrasta; mas não dizem violentas as margens que o comprimem.

Bertolt Brecht

Há sempre uma solução perfeita e criativa para cada problema

Prezados leitores, mais uma vez me dirijo a vós, com muito respeito e amor, numa época em que a par com a evolução tecnologia de ponta, a ansiedade e o descontentamento continuam a aumentar. Até aparenta que, quanto mais conseguimos, mais vazios nos sentimos. Nunca a humanidade teve tanto e nunca foi tão doente e infeliz. Tudo isto acontece porque a humanidade não consegue acompanhar o avanço tecnológico e as velhas instituições outrora com poder de educar foram ultrapassadas pela moderna tecnologia.

Se a tua vida não faz mais sentido, é urgente acertar o passo e acompanhar o fluxo e processo evolutivo. E para isso é necessário deixar a velha dualidade e entrar na unicidade. Apesar do aparente caos, o mundo caminha para o bem. As instabilidades nas zonas até aqui consideradas seguras, mostram quanto é importante avaliarmos a velha forma de pensar. Hoje sabemos que somos as vítimas da nossa própria ação. O Stress e as doenças psicossomáticas representam mais de 85% das doenças no mundo, segundo a O.M.S., e estão presentes em todas as famílias da civilização moderna. Não adianta tapar o sol com a peneira, mas também não é suposto fazer alarme. Basta despertar da ilusão hipnótica e assumir a responsabilidade da vida.

Pôr a nossa natureza em ordem é como afinar um instrumento de cordas.

Wang Che

Se não existir crescimento não existe vida. Sei que muitos estão a passar por privações, percas, depressão, enfim dor. Apesar de ser difícil aceitar, são as dores do crescimento. Mas será que para existir crescimento é necessária dor? Claro que não, a dor é o reflexo da resistência ao fluxo e processo da vida. Vida é mudança em fluxo contínuo, crescimento. 

Como fazer para sair do sofrimento? O sofrimento resulta da negação ao processo e fluxo da vida.

O sofrimento implica luta…, resistência à vida (mudança). Fomos educados para guerrear…, até nos iludimos quando nos julgamos vencedores da guerra contra o cancro, droga ou outra qualquer situação. Vou partilhar rapidamente um pouco da minha experiência. Desde muito jovem, sonhava com um mundo de igualdade e abundância para todos. Lutei, lutei pelos meus ideais, mas nada! Na minha mocidade, com a rebeldia própria da idade, tornei-me um democrata convicto que poderia contribuir positivamente para um mundo melhor. Lutei, por esse ideal e percebi que a esperada democracia se instalou e a desigualdade aumentou. Aos vinte anos deixei o conturbado mundo académico e acabei por mergulhar no mundo empresarial da alta competitividade usando o melhor que sabia e podia os talentos com que a vida generosamente me tinha presenteado. Durante década e meia, como que estivesse sobre hipnose, competi e ganhei, competi e ganhei, competi e ganhei tornando-me um vencedor.  Já a caminho dos quarenta o vazio existencial tomava conta de mim. Quanto mais sucesso mais vazio. O sucesso era a luz brilhante dum pavio de uma vela de dinamite que invariavelmente rebentava em minhas mãos. O tempo do brilho do sucesso dependia do tamanho do pavio da vela de dinamite. Lutei e quanto mais lutei, mais dor e sofrimento criei, levando-me à exaustão. Foi aí, exausto, doente e fracassado, que baixei os braços, deixei de lutar com a vida… e a vida começou a despertar. Os meus males desvaneceram-se como por milagre ou magia, comecei a saborear a vida. Descobri o que jamais os meus conceitos enraizados na ilusão dos sentidos poderiam conceber.  Consoante ia sorrindo para a vida, assim a vida sorria para mim. Descobri que existia muito mais do que alguma vez a minha imaginação poderia conceber. Quanto melhor me sentia, mais gratidão irradiava, e quanto mais grato estava, melhor me sentia.

Porque é que minha vida não faz sentido? Porque sinto que fracassei?

Durante séculos o sistema de crenças tridimensionais baseado na dualidade e separação criou títulos, ídolos, santos e pecadores, bem-sucedidos, enfim uma profusão de rótulos. Foi-nos incutido que alguns destes são melhores que nós. Que os devemos admirar ou mesmo idolatrar. Mas a verdade não é essa! Ainda te vou dizer mais, na minha ação de orientador de saúde integral, tenho encontrado esses tais bem-sucedidos que todos querem imitar. São os impecáveis segundo os padrões do pensamento oficial. São aqueles que as suas vidas são feitas de êxitos e sucessos, o modelo oficial perfeito de realização e felicidade …, mas são infelizes porquê? Porque é que procuram a minha ajuda? Porque é que são eles que sustentam os consultórios psiquiátricos? Porque é que estão no topo e são tão infelizes?…, É o paradoxo do velho sistema dualista, em que o ter se sobrepõe ao ser. Tem-se um título, que lhe dá um cargo de algo que não se é. E assim se dá um desvio atroz em relação a si mesmo.

Como fazer para que a vida faça sentido?

Caro leitor ou leitora, espero que os exemplos que acabei de descrever te possam animar, mesmo que tenhas descido muito baixo no teu percurso de vida; não o lamentes, esse foi o caminho que percorreste. Essa é riqueza que trazes na bagagem, essa experiência é o que faz de ti um ser único e te levou a ler este artigo. Há sempre uma solução perfeita, onde encontrarás uma nova liberdade, felicidade e paz. O sentimento de inutilidade e autopiedade vai dar lugar à autorrealização. A tua atitude e o modo de veres a vida vai mudar. 

Um mundo de realização e paz começa no indivíduo.

Não adianta proclamar aos quatro ventos que a ansiedade e todo o sofrimento resultam do velho paradigma dualista separatista. Ou que a ansiedade ou e todos os males do mundo são o reflexo do não confiar no fluxo e processo da vida. Antes de papaguearmos de como mudar a condição humana, precisamos mudar a nós mesmos. E isso faz parte de uma higiene diária, não se aprende em cursos nem em livros, é preciso praticar. Hoje é fácil encontrar pequenas comunidades onde a prática diária dos seus membros é ser o que desejam que o mundo seja.

Espero que o acabaste de ler te tenha feito sentido. Agora que sabes que não estás sozinh@ podes decidir ficares com quem precisa ou juntares-te a quem faz acontecer.

Fico a aguardar a tua partilha de experiências,

António Fernandes

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