pedagogia da casa escola antónio Shiva

Nos últimos tempos muito se tem escrito e falado sobre física e mecânica quântica e a sua aplicação no quotidiano. Apesar de uma mente materialista não ter possibilidades de interpretar minimamente estes princípios, neste artigo vou ter mais uma vez a pretensão de abordar alguns princípios da mecânica quântica, para, de uma forma singela, ilustrar formas mais abrangentes de nos enxergarmos e enxergarmos o mundo à nossa volta.

Foi no último século do milénio passado que surgiu a física quântica, a ciência que está a revolucionar o mundo com o estudo do movimento dos átomos e suas partículas. Essa nova visão científica (que na verdade de novo pouco tem,) deita por terra todos os conceitos materialistas (Newtoniano/Cartesiano) sobre a realidade e dá origem a uma nova era. Assim como o domínio do fogo e a invenção da roda deram origem a novas eras na história da humanidade, também os princípios da física quântica impulsionarão a humanidade para uma realidade até aqui desconhecida. Apesar da física moderna ser clara, simples e acessível a qualquer criança, quando se quer entender através de um conceito dualista ou materialista ela se torna inacessível. Porquê?

Observemos; na humanidade predomina o conceito materialista/dualista, em que o ter predomina em relação ao ser. Esta dominância prevalecerá até que haja um número suficiente de pessoas com a mente suficiente aberta para acatar os princípios da moderna física quântica, também conhecida pela física das possibilidades. A predominância do ter deve-se essencialmente à ignorância incutida pelos já obsoletos princípios da velha física clássica e na “impossibilidade” que uma mente treinada nessas ciências exatas tem em conceber possibilidades infinitas dentro de um único acontecimento.

Então vejamos de outra forma; enquanto a física clássica nos apresenta princípios e ferramentas para calcular distância, tempo, peso, força, velocidade, stress, etc…, a física moderna através do princípio da incerteza e do famoso “efeito observador” demonstra-nos que o simples facto de observar transforma possibilidades quânticas (concebíveis) em realidades na vida do observador. Assim em vez da rigidez da física clássica, suporte de uma sociedade socioecónomica debilitada e doente, temos a flexibilidade e o poder transformador da física moderna, para nos transformar e modificar as instituições sociais, económicas e políticas, e dar lugar a um novo homem, uma nova humanidade.

As partículas do átomo são vistas como ondas de possibilidades, pois podem estar ali, aqui e acolá, inclusivamente em vários lugares simultaneamente. Se agarrarmos como exemplo de partícula subatómica o fotão, através da velha experiência da dupla fenda, ficamos a saber que tanto se comporta como partícula, como se comporta como onda. Essa dupla característica, é designada pelos físicos da nova era “dualidade onda-partícula” e uma coisa não funciona sem a outra. Se enxergarmos através dos princípios exatos da física clássica, esta afirmação seria contraditória. Mas experiencias científicas, repetidas milhares de vezes em laboratório, comprovam que uma partícula subatómica ao ser observada sofre a interferência do observador tanto pode parar, mudar o movimento ou mesmo o rumo. Ou seja, o observador é capaz de interferir no rumo da partícula e alterar a realidade do mundo quântico, embora não tenha controlo sobre o que vai acontecer.

Ciente do mundo de possibilidades infinitas (mundo subatómico) e convicto do poder do “efeito observador” entra-se num novo paradigma em que o material manifesta o espiritual.

Saber que tudo é átomo, e átomo é onda e partícula simultaneamente, e que uma não existe sem a outra de pouco, ou nada serve, enquanto não limparmos a mente dos preconceitos materialistas.

Uma mente quântica, é uma mente liberta de apegos a conceitos (preconceito). Pura para abranger todas as possibilidades e podermos ser donos e desenvolvedores do nosso livre-arbítrio. Apesar de sempre nos ter sido anunciado o livre-arbítrio, dentro dos conceitos clássicos ele não poderia ser usado. Não há direito de escolha. Mas com a física quântica temos o direito a possibilidades infinitas de escolha e podemo-nos libertar sempre de hábitos nocivos criadores de ansiedade, carência, depressão, stress, doença etc., através de uma inter-relação cósmica, que os cientistas chamam de não localidade quântica. Por outras palavras a moderna física quântica fornece ao observador possibilidades infinitas, para nos mudarmos a nós mesmos, realizarmo-nos e contribuirmos para a mudança da sociedade atual.

Como é que funciona (como é possível)?

Na realidade quântica, uma partícula pode influenciar outra partícula. Ficou provado pela física moderna que um elétron pode influenciar outro elétron quando sofre a intervenção do observador. E o mais aliciante é que isso pode ocorrer à distância. Os cientistas, comprovaram em laboratório que o simples ato de observar ativa a interação e a comunicação dos átomos entre si. De uma forma mais simples o observador provoca uma ação em cadeia, quando perante uma determinada situação ou acontecimento, opta por uma possibilidade. Mas o mais relevante é que não existe distância. Não importa o local onde nos encontremos (local onde escolhemos uma dentro de um universo infinito de possibilidades) para a possibilidade escolhida ser realizada. Por exemplo: perante o anúncio de um desemprego, a perda de um negócio ou a avaria do automóvel ou mesmo de uma doença, a forma como é observada pelo próprio, assim será o resultado final. E se nesse ato de observar o acontecimento ou situação, precisar da intervenção de átomos na China, Japão, Rússia, ou mesmo fora do planeta ou do sistema solar, não existe distância entre partículas. A esta ação a ciência dá o nome de “entrelaçamento de onda”.

Como com este conhecimento é possível melhorar (interferir) a realidade?

Se pensarmos no quotidiano dentro destes conceitos quânticos, podemos exercer uma correspondência e ao mesmo tempo uma aplicação desses princípios. Vejamos o nosso corpo é composto de átomos, assim como tudo que existe visível ou invisível, incluindo os pensamentos claro. Perante esta verdade científica, e se através do ato de observar o ser humano é capaz de alterar a realidade microcósmica, também posso alterar a minha realidade através de um pensamento criativo e de uma atitude proativa e positiva perante mim e o  mundo que me rodeia. A verdade é que a realidade que cada um de nós experimenta resulta da forma como nos vemos, como vemos o mundo e vemos os outros. Por outras palavras, a nossa realidade reflete os nossos pensamentos, sentimentos, emoções e ações. Se não me sinto realizado na minha realidade, preciso mudar a forma como me vejo, vejo o meu trabalho, os meus vizinhos, políticos, instituições etc.

Se desejo receber beleza, bem-estar, abundância, alegria, felicidade, da vida, preciso dar tudo isso ao mundo. Acreditar que tudo o que eu dou ao mundo o mundo me devolverá. Da mesma forma que que uma partícula subatómica é influenciada no seu trajeto pelo observador, também qualquer um nós, pode mudar a sua realidade, quando mudamos a nossa atitude reativa para uma postura proativa.

Exemplo de uma atitude reativa: eu fazendo parte do povo Português e reclamar dos corruptos, dos políticos ou do cão do vizinho, lamentando-me, culpando-os ou mesmo denunciando nas redes sociais, ou por outros meios, posso mudar a minha atitude reativa para proativa, responsabilizando-me pessoalmente por essa realidade.  Se está na minha realidade eu sou responsável. Não sou o autor, mas sou responsável. Quando julgo, crio mais do que o que estou a julgar. Assumindo a responsabilidade, altero essa realidade. Se desejamos despertar o melhor em nosso mundo, precisamos pensar, falar, sentir e desejar o melhor para todos. Precisamos acreditar que o mundo tem o melhor para nos oferecer e esperar com certeza e autoconfiança.

Perante os princípios da moderna física quântica, é urgente desenvolver o princípio integral da realidade e do papel ativo do ser humano, no bem-estar pessoal e coletivo.  Cada um é responsável pela sua realidade. Somos todos um. O cosmo funciona como uma grande orquestra em que a interligação dos instrumentos faz a melodia. Nada acontece por acaso. Nada é fruto da sorte ou do azar, tudo obedece à forma de observar, “entrelaçamento de onda”.

O Mundo já mudou, é urgente integrarmo-nos na nova era, como ativistas responsáveis…, e na liberdade do livre-arbítrio, concedida pela nova ciência, navegarmos em soluções perfeitas e criativas, em vez de continuarmos afundados no mar de problemas que entram pelas nossas vidas a dentro, através dos mais variados órgãos de comunicação.

António Teixeira Fernandes

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